A modernização dos processos de emissão de certificados digitais e os impactos da Autoridade de Registro Eletrônica (AR Eletrônica) para a expansão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) foram tema do painel “AR Eletrônica: Emissão Autoassistida”, realizado durante o CertForum-ID 2026, em Brasília.
Moderado pelo diretor de Relações Internacionais do Instituto Internacional de Identificação (InterID), Maurício Coelho, o debate reuniu o diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Enilson Camolesi, o diretor-presidente da ANCD, Márcio Nunes, o conselheiro titular da ANCD, Leonardo Gonçalves, e o presidente da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), Márcio Shimomoto.
Ao abrir o painel, Camolesi destacou que a AR Eletrônica representa uma mudança de paradigma na emissão de certificados digitais, permitindo que o cidadão obtenha uma identidade digital qualificada de forma autoassistida e integrada às jornadas digitais já utilizadas no dia a dia. Segundo ele, a iniciativa reduz barreiras, amplia o acesso aos serviços digitais e contribui para a inclusão digital e social da população.
Representando a visão da indústria, Márcio Nunes ressaltou que a AR Eletrônica integra um amplo processo de modernização regulatória conduzido no âmbito da ICP-Brasil. Para ele, a nova modalidade cria condições para ampliar a escala das assinaturas qualificadas, reduzir custos operacionais e permitir a criação de novas experiências digitais baseadas em confiança, sem abrir mão dos elevados padrões de segurança jurídica e tecnológica característicos da infraestrutura.
“A AR Eletrônica representa uma evolução natural da ICP-Brasil. Estamos ampliando o acesso à certificação digital e criando condições para que mais cidadãos e empresas possam utilizar assinaturas qualificadas em suas jornadas digitais, sempre com os mesmos níveis de segurança e confiança que caracterizam nossa infraestrutura”, afirmou Nunes.
O conselheiro titular da ANCD, Leonardo Gonçalves, enfatizou que o desenvolvimento da AR Eletrônica busca equilibrar experiência do usuário e segurança. Segundo ele, a indústria já trabalha na implementação das novas regras e na construção de soluções capazes de ampliar os casos de uso dos certificados digitais em nuvem, facilitando sua integração a aplicações e serviços digitais.
“Nosso desafio é combinar conveniência e segurança. A AR Eletrônica permitirá integrar a certificação digital a experiências cada vez mais simples e intuitivas, sem abrir mão dos requisitos que fazem da ICP-Brasil uma referência em confiança digital”, destacou Gonçalves.
A perspectiva dos usuários de soluções de confiança foi apresentada por Márcio Shimomoto, que compartilhou a experiência das juntas comerciais na digitalização dos processos de abertura e alteração de empresas. O dirigente destacou os desafios relacionados à prevenção de fraudes e à identificação segura dos usuários, apontando que mecanismos baseados em certificados digitais oferecem elevados níveis de segurança para as transações empresariais.
Durante o debate, os participantes também abordaram o potencial da AR Eletrônica para viabilizar novos modelos de negócio e ampliar a presença da ICP-Brasil em jornadas digitais cada vez mais simples e integradas. Entre as possibilidades discutidas estiveram a emissão de certificados durante processos de contratação de serviços, operações financeiras, abertura de empresas e outras transações eletrônicas que demandem elevados níveis de confiança.

