ANCD amplia presença internacional durante o CSC Summit – Trust Without Borders 2026, em Bogotá

A Associação Nacional de Certificação Digital (ANCD) participou, entre os dias 11 e 15 de maio, do CSC Summit – Trust Without Borders 2026, realizado em Bogotá, na Colômbia. O evento reuniu especialistas, autoridades regulatórias, entidades de padronização, empresas de tecnologia e prestadores de serviços de confiança digital de diversas partes do mundo para discutir os rumos globais da identidade digital, interoperabilidade, assinaturas eletrônicas e serviços de confiança.

A entidade foi representada por seu diretor-executivo, Edmar Araújo, que permaneceu durante todo o período na capital colombiana acompanhando as atividades técnicas, institucionais e estratégicas do encontro.

A participação da ANCD ocorreu praticamente em paralelo à oficialização da entrada da entidade no Cloud Signature Consortium (CSC), organização internacional voltada ao desenvolvimento de padrões técnicos globais para assinaturas digitais em nuvem e ecossistemas interoperáveis de confiança digital.

O CSC Summit 2026 reuniu 33 palestrantes distribuídos em oito sessões, entre palestras, painéis de discussão, aprofundamentos técnicos e discursos de destaque. Ao todo, participaram representantes de 25 países de quatro continentes, sendo 11 deles da América Latina, consolidando o evento como um dos principais fóruns internacionais voltados à confiança digital, interoperabilidade e identidade digital.

Durante o evento, a ANCD participou da Assembleia Geral Anual do Consortium ( Cloud Signature Consortium Annual General Meeting – AGM ), oportunidade em que foram debatidas as prioridades estratégicas do CSC para os próximos anos, incluindo expansão global da entidade, evolução da API CSC, transformação das especificações técnicas em padrões ISO e iniciativas relacionadas à interoperabilidade internacional de trust services.

Na Assembleia, o Brasil foi citado nominalmente entre os novos países incorporados ao Consortium no ciclo 2025-2026, ao lado de países como Vietnã, Filipinas, Moldávia e Portugal. Os dados apresentados pelo CSC indicaram ainda crescimento acelerado da organização, que passou a contar com representantes de 38 países distribuídos em cinco continentes.

Ao longo dos painéis técnicos, a ANCD acompanhou discussões sobre eIDAS 2.0, wallets de identidade digital, reconhecimento transfronteiriço de assinaturas eletrônicas, interoperabilidade internacional, Digital Product Passports, faturamento eletrônico, credenciais verificáveis, criptografia pós-quântica e futuras arquiteturas globais de confiança digital.

Um dos pontos de maior destaque foi a recorrente menção ao modelo brasileiro da ICP-Brasil durante os debates internacionais. Em diferentes sessões, especialistas europeus, latino-americanos e asiáticos demonstraram interesse no grau de maturidade alcançado pelo Brasil em infraestrutura de confiança digital, especialmente diante do uso massivo de certificados digitais e assinaturas eletrônicas qualificadas em setores como saúde, governo digital, sistemas judiciais eletrônicos, advocacia e serviços financeiros.

Durante o painel “ EU and LATAM’s Digital Signature Ecosystem within the Global Landscape: Harmonizing Regulation with Innovation ”, representantes ligados à ETSI e ao ecossistema europeu discutiram caminhos para harmonização regulatória e reconhecimento mútuo entre frameworks internacionais de trust services. Nesse contexto, houve referências à ICP-Brasil e aos desafios relacionados à interoperabilidade entre modelos europeus e latino-americanos de assinaturas digitais, faturamento eletrônico e validação transfronteiriça.

As discussões também destacaram o papel crescente da América Latina no cenário global de confiança digital. A própria organização do evento ressaltou que o CSC Summit em Bogotá foi concebido estrategicamente para aproximar reguladores, empresas e especialistas da região das principais discussões internacionais relacionadas à interoperabilidade e identidade digital.

Além da programação técnica, a participação da ANCD permitiu ampliar o relacionamento institucional da entidade com representantes de organizações internacionais, universidades, associações setoriais e especialistas de diversos países, incluindo Itália, Alemanha, Estônia, Índia, Estados Unidos, Colômbia, Argentina e Uruguai.

Outro ponto relevante da programação foi a visita técnica realizada à Universidad de los Andes, onde os participantes puderam conhecer um computador quântico em operação experimental e discutir aplicações práticas de computação quântica, limites operacionais de qubits, modelos de desenvolvimento da tecnologia e impactos futuros sobre segurança da informação e criptografia.

Durante a visita, pesquisadores explicaram os desafios atuais relacionados à estabilidade quântica, à limitação temporal das operações computacionais e às diferentes abordagens tecnológicas em estudo para desenvolvimento de computadores quânticos, incluindo modelos baseados em superconductividade, vibrações moleculares e estruturas ópticas.

Para Edmar Araújo, a experiência representou um dos momentos mais simbólicos da participação da ANCD em Bogotá.

“Visitar um computador quântico em funcionamento experimental foi, sem dúvida, uma das experiências mais impressionantes de toda a viagem. Tivemos a oportunidade de ver o futuro sendo desenvolvido diante dos nossos olhos”, afirmou.

Segundo Araujo, o diferencial brasileiro está justamente na combinação entre regulação, adoção massiva e impacto concreto na vida da população.

“Poucos países do mundo possuem cases públicos com o impacto econômico e social que o Brasil construiu nas últimas duas décadas. Nota Fiscal Eletrônica, Processo Judicial Eletrônico, Prontuário Eletrônico do Paciente, PIX, gov.br, Receita Federal digital e sistemas massivos de autenticação são demonstrações concretas de que o país desenvolveu um ecossistema robusto de confiança digital”, destacou.

Araújo também ressaltou que os debates internacionais evidenciaram forte interesse estrangeiro pelo modelo brasileiro.

“Em praticamente todas as conversas, houve surpresa positiva quando apresentávamos os números do Brasil, o volume de certificados válidos, o nível de integração digital do Estado e os casos concretos de utilização massiva de assinaturas qualificadas. O Brasil é visto hoje como um case mundial de infraestrutura nacional de confiança digital”, concluiu.

A participação da ANCD em Bogotá também consolidou a inserção internacional da entidade nas discussões globais sobre interoperabilidade, identidade digital e serviços de confiança, ampliando a presença institucional brasileira nos principais fóruns internacionais relacionados à transformação digital e à economia da confiança.

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